Mágica

Ela já existia muito antes da arte ou da ciência. Entre as várias razões para uma mágica, não consta conseguir um maior entendimento do universo ou subverter alguma ordem social estabelecida mas normalmente provocar surpresa, maravilhamento.

O primeiro efeito de uma mágica é o assombro, depois a dúvida: como é que foi feito? Já houve uma época em que eram atribuídos aos mágicos poderes especiais. Atualmente, na maioria das vezes existe um acordo entre o público e o ilusionista de que o acontecimento mágico é fruto da engenhosidade, de equipamentos escondidos, espelhos, projeções: é uma ilusão. Os bons mágicos roubam da arte e pegam emprestado da ciência para desenvolver seus truques.

Para a mágica, parâmetros do kitsch não se aplicam. O kitsch existe num mundo da análise fria das coisas, onde efeito e conteúdo devem ser separados e o assombro é considerado uma emoção grosseira. Na mágica, o acordo entre o público e o artista não é problemático, mas faz parte do ritual.

Eu me divirto com o formato clássico do mágico com suas ajudantes, que normalmente não ajudam muito, mas que entram em situações arriscadas, são serradas ao meio, desaparecem sempre sorrindo. A relação entre o mágico e a ajudante costuma ser ambígua. Será que eles tem um caso?

Os mágicos começaram a se profissionalizar no seculo XVIII, e alguns se tornaram personalidades notórias. Alguns possuíam teatros e eram convidados especiais para entreter nobres e milionários no seculo XIX, como o famoso mágico escapista Harry Houdini.

Houdini era especialista em se colocar em jaulas, sendo acorrentado com cadeados e algemas e atirado na água, enterrado vivo, etc e acabava escapando. Sempre achei fascinante sua história e também gostaria de saber fazer este tipo de mágica para sair de situações ou lugares chatos.

O escapismo é um tipo clássico de mágica mas existem diversos outros tipos: fazer alguma coisa aparecer ou desaparecer, transformar um objeto em outro, prever um acontecimento, atravessar uma parede sólida, levitar uma pessoa.

O cinema começou como mágica, como um truque mecânico, como outros com espelhos e projeções. Os filmes destes primeiros anos eram povoados de objetos que voavam, fantasmas, coisas impossíveis. Hoje a mágica no cinema chama-se “efeito especial”e é normalmente computação gráfica. Os segredos (ou a ausência deles) são mostrados no final do DVD nos “Special Features”.

Ao longo do seculo XX, continuaram a aparecer mágicos (e também charlatões), que atualizam esta forma de espetáculo. Alguns famosos incluem David Copperfield com seus shows gigantes, o controverso Uri Geller (que entorta colheres com o poder da mente) ou mais recentemente, Derren Brown, que hipnotiza e lê o que passa na cabeças das pessoas utilizando conhecimentos de psicologia. Existem diversos livros, sindicatos, tutoriais na internet, kits prontos, uma infinidade de shows de TV.

Eu suspeito que no dia em que não se tiver muito mais interesse em vanguardas artísticas e que se estiver dando polimento no conhecimento gigantesco do mundo que estamos acumulando, lá no futuro, alguém ainda vai tirar um coelho da cartola.

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