Com fogo nas Calças – The Burning Man

Ouvi falar deles no dia em que resolvi construir meu primeiro domo geodésico. Colocando a palavra no Google, acabei parando numa página chamada desert domes (www.desertdomes.com) que fornece conselhos para a fabricação de geodesicos de grandes dimensões, utilizando ferramentas comuns. O site ensinava aquilo tudo baseado na experiência de um tal de Burning Man.

Ao longo do tempo, quando ia procurar alguma informação sobre construções rápidas, fui topando várias vezes com este nome.

O Burning Man é um evento que ocorre todo ano (desde de 1986) no Deserto Black Rock em Nevada nos EUA e atualmente junta mais de 45 mil pessoas durante uma semana. Eles se consideram “uma cidade temporária”. As regras do jogo são simples: vc tem que sobreviver por conta própria no deserto e quando for embora, não pode deixar nada para trás. Uma vez que vc chegou, não pode mais andar de carro. Não existe comércio: a organização só vende gelo e café. Uma parte do deserto é reservada para instalações artísticas e festas. Cada ano, o evento tem um tema que serve de inspiração para as instalações e obras de arte.

A temperatura durante o dia chega aos 40 graus centígrados, a noite chega ao ponto de congelamento. Raramente chove, mas quando acontece, vira um lamaçal. Os ventos são fortes e facilmente carregam as barracas, voando a vários quilômetros por hora.

Alguns “habitantes” do Burning Man utilizam o evento para fazer grandes construções temporárias, utilizando frequentemente de materiais simples como tubulação metálica, para-quedas usados de vedação, sarrafos de madeira, restos industriais. Algumas das obras são subsidiadas, mas a maior parte é feita por conta dos próprios participantes, que também encontram colaboração para as montagens entre os outros participantes.

Atualmente eu acompanho de perto o que este pessoal cria por lá. Me agrada muito a variedade de soluções práticas com ingredientes simples. Burning man é uma combinação interessante de idealismo e pragmatismo, de arte e confusão.

Alguns exemplos são: templos construídos com pequenos retalhos de madeira, uma instalação que usa peças de caminhão e que chega a mais de 10 metros de altura, infláveis, estruturas que se formam sozinhas, instalações que movem com o vento, geodésicos de metal ou bambu e varias instalações interativas, utilizando luzes e som.

Ao longo do tempo, varias das instalações do Burning Man apareceram em revistas chiques, como exemplos de estruturas práticas ou exóticas, como arte ou apenas como curiosidade. A impressão que eu tenho é que isto interessa pouco: eles continuam com sua festa anual, onde o que importa é a auto-expressão radical e a capacidade de resiliência.

Quem quiser saber mais:

http://www.burningman.com/
http://www.wired.com/culture/lifestyle/multimedia/2005/09/68765 (burning man @ Wired)

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