Impressoras 3D

Tem bem uns 4 anos que venho acompanhando o desenvolvimento da tecnologia de impressão 3d. Fiquei meses lendo o forum da RepRap antes tomar coragem e construir a minha primeira. O critério para a cosntrução foi bem pragmático: gastar o minimo para ver no que dava. Aguardei um parente ir para os EUA e comprei um kit de uma variante da Mendel, de uma empresa chamada SeeMeCNC. O kit custava, na época US$ 200,00 e dizia conter tudo necessário para uma impressora totalmente funcional. Tenho algumas fotos antigas do processo de montagem. Tanto a mecânica quanto a parte eletrônica dessa impressora eram bastante rudimentares: não tinha rolamentos lineares e deslocava em cima de pequenos rolamentos, as correias eram de um padrão menos preciso, os motores super dimensionados. Demorei uma semana para adivinhar como montar o monstrão porque não tinha manual, e vc tinha que ir perguntando no forum. Alem do mais nunca tinha passado pela a experiência de montar uma máquina com partes móveis.

Montagem da primeira impressora SeeMeCNC.

Apesar da novidade, essas impressoras que derretem plástico não são muito complicadas: para quem já fez maquete, o bico lembra uma pistola de cola quente. Ela derrete dois tipos de plástico: o ABS – que é o plástico das pecinhas do Lego e o PLA, que é um plástico biodegradável, derivado de milho. Normalmente tem um ou dois motores que giram uma barra rosqueada que faz esse bico levantar no eixo Z. O eixo X é um outro motor que sobe junto com esse bico e empurra, atraves de uma correia dentada. O eixo Y é um outro motor sob a mesa. No final, a impressora tem quatro ou cinco motores (2 para o eixo Z, 1 para o X e outro para o Y e mais um para o extrusor – que empurra o filamento de plástico atraves do bico quente). A parte eletrônica é toda baseada num arduino.

Existem vários outros tipos de impressora, mas essas são chamadas Fused deposition Modeling (FDM) de mecânica cartesiana –  são as mais simples.

Aprendi demais com o processo todo, mas a primeira impressora mal funcionou, cuspindo uns pedaços de plástico retorcidos que vagamente pareciam com o modelo 3d, antes de derreter completamente. Nessa hora que vc entende que é muito importante calibrar o conjunto. Ainda pretendo transformar a mecânica em uma fresa CNC quando sobrar um tempo.

O problema principal estava na parte eletrônica: a empresa, para reduzir o custo, usava uma placa eletrônica adaptada de uma fresa e o termostato tinha ajuste manual. Não se sabia exatamente a qual temperatura o bico extrusor estava funcionando.

Isso foi a 3 anos atrás. Apesar da frustração, insisti novamente num outro modelo. A segunda impressora foi uma Printrbot. Essa impressorinha é feita de madeira cortada a laser, e já era uma geração mais nova. A montagem é mais simples, existe um manual e uma comunidade ativa de suporte. O kit, na época estava em promoção e consegui a US$ 450,00, trazendo eu mesmo. Printrbot é uma maquininha engenhosa, que minimiza as partes e simplifica bastante a montagem. Ela é baseada no conceito das Wallaces do projeto Reprap.

Montar foi muito divertido, ela está aqui na prateleira como troféu (não vou ter coragem de desmontar) mas era instável e tinha o péssimo hábito de travar depois de horas, quando faltavam 5 minutos para terminar a impressão. A máquina trepidava e vez por outra a peça que estava sendo impressa soltava. Trocar o filamento era muito sofrido. Ainda assim eu recomendo esse kit para quem tem poucos recursos e vontade de aprender.

A Printrbot, minha segunda impressora, guardada na prateleira.

Ela serviu para montar a terceira, que é a que eu uso ultimamente – uma outra variante da Wallace, toda feita de plástico. Essa foi desenhada para reduzir mais ainda o numero de peças. è pequenina e (quase) portátil. As peças vieram da China, em pequenas caixinhas por causa dos impostos absurdos brasileiros – uma hora isso vai merecer um artigo, quando tiver sangue frio a respeito. Desde então, venho modificando e construindo sobre esta base. Em quatro anos a tecnologia desenvolveu muito rápido e hoje é dificil acompanhar todas as frentes de desenvolvimento, a medida que cada vez mais pessoas vão se envolvendo com a tecnologia. Hoje, tenho vontade de construir uma impressora Delta.

A terceira geração de impressoras: dessa vez todas as partes são impressas pela maquina anterior. O processo todo demora uns 3 dias.

Vejo que uma parte dos amigos que conseguiram ter acesso a uma impressora, pularam essa etapa toda de construção e foram direto para a geração de algoritmos para imprimir modelos arquitetônicos. De uma forma curiosa isso acabou me interessando menos: ganhei gosto, depois da construção dessas maquininhas, pelo trabalho manual de construção de outras máquinas. O processo gastou tempo, mas no total, saiu bem mais barato e foi mais divertido do que comprar uma pronta. Alem do mais, se vc quizer comprar uma, é só entrar em contato!

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