Aventuras tecnológicas: Ballard

Ele nos contou sobre essa cidade obsecada pelo tempo onde todos tinham cartões de controle e cada minuto era acomodado em turnos, até que aconteceu uma revolta onde destruíram todos os relógios. Muito tempo depois um cara resolveu consertar alguns, o que era o pior crime daquela sociedade, e ficou tão entusiasmado que consertou o relógio na torre central e foi preso e condenado a ficar numa cela vazia com um enorme relógio na parede.
De outra vez, nos apresentou para uma pessoa que tinha desses sonhos que estava voando, ele vivia numa cidade tão grande que não se sabia os limites, tanto na horizontal, quanto na vertical. Resolveu tomar o trem para ver onde parava, e depois de meses viajando, desceu numa estação qualquer, para descobrir que estava exatamente no mesmo lugar de onde saiu.
E tinha esse outro, que morava num cubículo da terra superpovoada, e descobriu uma parede falsa que dava para o último lugar vazio do planeta: uma sala com um móvel adornado. Ao contar o achado para seu melhor amigo, assiste sem poder fazer nada, a ocupação gradativa pelas pessoas que vão sabendo do lugar e que acabam destruindo o móvel para ganhar mais espaço.
E também falou da gangue que morria repetindo grandes acidentes de automóvel. Um futuro onde a humanidade termina dormindo, o fim de toda evolução acelerada por uma máquina que produz criaturas improváveis e monstruosas.
Ele listou uma exibição completa de atrocidades humanas, máquinas que existem ou serão inventadas ainda, partes de máquinas misturadas a corpos humanos, sem motivo algum. Gostava de descrever terras devastadas, visitar lugares vazios onde um vento frio vindo de lugar algum soprava impiedosamente.
Suas histórias falam do fim do mundo, de um hotel decadente, onde um menino brinca no lodo da piscina vazia enquanto espera a última nave para fora daqui.
Em 19 de abril de 2009, o tempo do escritor inglês fabricado na China, J.G. Ballard parou. Um dos escritores de ficção cientifica mais fascinantes do seculo XX, suas histórias continuam presas na imaginação, relatos de que existe um mundo fora do controle da tecnologia, porque os sonhos e pesadelos tem vontade própria.

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